21 de Junho de 2011

O Império Romano e o Cristianismo - Veículos de difusão do Cristianismo

 Nos próximos dias publicaremos alguns textos informativos,  bem como documentos históricos e historiográficos respeitantes a esta a temática.
 No primeiro analisaremos de que forma a organização social, territorial e cultural romanas contribuíram para a rápida expansão da nova fé.




  Após a morte de Jesus, a mensagem cristã difundiu-se rapidamente beneficiando de uma conjectura social e política muito propícias. Assim podemos atribuir o sucesso da expansão cristã a uma excelente rede de estradas, que facilitou a circulação dos discípulos e dos ideais cristãos; à unidade linguística do império, que facilitou a transmissão desses mesmos ideais; neste seguimento, uma intensa obra evangelização por parte dos apóstolos, quer pelas suas viagens, quer pela redacção dos quatro evangelhos do Novo testamento; ao “apostolado” de S. Paulo e de S. Pedro; à existência de comunidades judaicas (diáspora), um pouco por todo o Império, que acolheram bem este novo credo, por ser também monoteísta; o descontentamento e a insatisfação gerais da população romana devido às desigualdades sociais existentes; os valores defendidos pelo Cristianismo eram sinónimos de esperança para os povos oprimidos; a fuga da perseguição religiosa empreendida inicialmente por judeus conservadores, e posteriormente pelo Estado Romano; a existência de numerosas cidades; o cárter universalista da mensagem, uma fé que propõe que a mensagem de Deus destina-se a toda a humanidade e não apenas a um povo escolhido; o ideal de paz pregado pelos cristãos; e por último a corajosa resistência dos mártires cristãos, que, em tempos de perseguição enfrentavam as torturas mais cruéis.

Outro factor coadjuvante foi a crise que a própria religião tradicional romana, atravessava nessa época. Excessivamente formal e ritualista, incapaz de dar respostas satisfatórias às inquietações dos homens, que procuravam expectativas de felicidade no Além. A aliar a esta crise religiosa, as correntes filosóficas que circulavam, espalhavam a ideia de um Deus único, supremo e transcendente, adubando o caminho para o monoteísmo.
   A cidade de Jerusalém foi o centro da primeira comunidade cristã até à sua destruição pelos Romanos em 70 d. C., por ordem de Tito, que mandou destruir também o templo. O centro do movimento cristão irradiou então a sua influência a outros núcleos urbanos da Palestina. No entanto ironicamente a sua expansão foi mais limitada na Palestina do que noutras partes do Império. Devido a perseguição movida pelas autoridades religiosas judaicas, e à morte do primeiro mártir, Estêvão, o Cristianismo começa a conquistar os judeus dispersos por todo o Império Romano, ganhando força sobretudo nas províncias orientais do Egipto, da Ásia Menor e da Grécia. A conversão dos judeus de Alexandria, Éfeso, Antioquia e Corinto abriu as portas para a conversão dos povos pagãos.
  No que diz respeito ao ocidente formou-se uma importante comunidade em Roma em meados II d.C..  Nas Gálias, a expansão cristã teve como eixo principal o vale de Ródano. Também chegou à Germânia e à Britânia. Na remota Hispânia, expandiu-se de forma inicial nas áreas romanizadas, sob a influência de Roma e do vizinho cristianismo africano.
   Num determinado momento, os cristãos sem raízes judaicas ultrapassaram em número os judeus cristãos. A acção do apóstolo Paulo neste sentido foi crucial. Paulo de nasceu judeu, com estatuto de cidadão romano, mas pouco depois da morte do mártir Estêvão converteu-se ao Cristianismo, acabando por se tornar um dos principias instrumentos de transmissão da mensagem de Cristo aos gentios através das suas Epístolas direccionadas às comunidades cristãs.





7 comentários:

  1. Esse site é de História ou Religião Cristã? Porque se for de História, não há nada que comprove a existência de Jesus e ainda mais afirmar sua morte.

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  2. Obrigado por ter expresso a sua opinião. Mas para que não restem dúvidas, este é um blog de História destinado a divulgar o legado da Civilização Romana. Independentemente de se acreditar ou não na existência de Jesus Cristo, certamente concorda que a história da civilização latina é indissociável da propagação do cristianismo, conforme apresentado nos manuais escolares e outras obras de referência. Não era nossa intenção ferir a susceptibilidade de ninguém.Portanto, apresentamos desde já as nossas sinceras desculpas se o conteúdo da publicação a incomodou de alguma forma a si ou a terceiros. Espero que continue a visitar o nosso blog.

    Com os melhores cumprimentos

    As autoras de blog

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  3. Na verdade a igreja deveria ser apenas cristã, católica e postólica, mas não romana. Parece que devido as perseguições aos cristãos os imperadores romanos arrependidos aproximaram-se da igreja e a integraram ou foram por ela integrados. Mesmo assim, não vejo porque o termo "romana"..

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    1. Pois, o nome já não é da nossa responsabilidade. Limitamo-nos a apresentar os factos conforme reza a História.

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  4. Penso que seja um grande desconhecimento histórico desconsiderar a existência de Jesus, que se comprova não só pelos registros evangélicos, como por autores não-cristãos que falam de Jesus e do movimento criado em torno dele. Admitir a existência histórica de Jesus independe da fé que se tenha nele, como admitir a existência histórica de Osama Bin Laden não faz de você um terrorista ou membro do Al Qaeda. Grato pela contribuição do blog!

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  5. A religião percebida como um instrumento político é bem diferente de quando é percebida como um instrumento de aperfeiçoamento moral. A tendência é que ela seja apreciada preferencialmente pela segunda possibilidade. No entanto, é sob o ponto de vista secular que faço essa reflexão a respeito da origem do cristianismo. Conheça um pouco mais a respeito da maior farsa histórica de todos os tempos. Visite a página do livro A Origem do Cristianismo em Reflexão, no Facebook:
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